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04/04/2005
ARTIGO PARA O GTR

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UMA DICA


Oi pessoal do GTR!

É um grande prazer escrever pra vocês aqui no site. Espero logo fazer um som por aí, em Brasília! Gostaria de falar sobre assimilar a concepção de instrumentistas que não sejam guitarristas pra renovar sua música.

Isso pode causar entranheza inicialmente, mas acho que até o fim dessa matéria você pensará no caso... Aproveite.

IMITADORES
Quando ouço um guitarrista imitando outro guitarrista não sinto vontade de continuar ouvindo!

Parece uma doença: o cara tem que imitar alguém pros outros reconhecerem seu 'valor'! Aí surgem comentários do tipo: "Você viu? Aquele cara toca na onda do Malmsteen!" ou "Achei legal o guitarrista da banda, meio Morse, meio Jeff Beck!".

E é claro que isso acontece com outros instrumentistas, por exemplo, pianista que imita Bill Evans, saxofonista que imita Kenny Garret, etc.

Ora, em se tratando de arte, isso é mediocridade, concorda? Cada um tem uma música distinta dentro de si. A individualidade é uma característica inerente a todo ser vivo.

É claro que tem uma fase em que a gente 'pira' com um estilo, ou com um guitarrista. Isso aconteceu comigo quando eu era moleque. Quando apareceu o Malmsteen em 1985, por exemplo, eu simplesmente furei o disco de vinil, tentando tocar aquilo! O cara simplesmente apareceu tocando o que todos moleques sonhavam em tocar!

É normal e faz parte da formação do músico que isso aconteça. Só que é parte da musicalidade verdadeira o impulso natural para a Evolução! Nesse caso, considero evolução seguir em frente e abrir a mente, sempre pesquisar novos caminhos, novos sons, novas possibilidades. Não ser fã de um cara, mas, sim, um conhecedor de tanta música quanto se conseguir conhecer.

O VÍCIO DA DISTORÇÃO
Um importante obstáculo que vivenciei foi o vício de só ouvir música que tivesse uma guitarra distorcida! E atesto isso em vários iniciantes, a galera que só  consegue ouvir rock, por exemplo.

Quando você é condicionado a ouvir um tipo de som, começa a viciar naquele timbre, naquela atmosfera, e tudo que aparece de diferente causa estranheza. Vários alunos que chegam pra estudar comigo estão justamente nessa fase.

Aí, ao longo dos meses, observo mudanças, não por forçá-los, mas apenas por sugerir. E os mais musicais conseguem vencer essa barreira mais rapidamente. Logo chegam comentando a respeito de algum cd do Miles Davis, etc.

Veja, o caso não é "rock X jazz", ou "som limpo X som distorcido", mas abrir a mente! Eu ouvi rock em doses massivas dos 13 aos 18 anos! Minhas bandas favoritas são: Black Sabbath, Led Zeppelin, Van Halen e algumas outras. Não tenho preconceito nenhum.

Só sou a favor da evolução do músico! O rock é uma pequena porcentagem da música! Pense na diversidade de músicas ao longo da história e ao redor do globo... Se você tem musicalidade, vai querer conhecer pelo menos o que der pra conhecer, não é?

OUTRAS FONTES
Quando comecei a ouvir jazz fui direto pros guitarristas. Comecei ouvindo John Scofield, Mike Stern, Scott Henderson, ou seja, os caras da década de 80/90. Mas logo comecei a reparar que já haviam vários clones desses caras por aí. Clone entenda-se por imitação. E, pelo menos pra mim, imitação não é a coisa real, é apenas um sub-produto...

Então, decidi ouvir saxofonistas, pianistas, trompetistas, enfim, não-guitarristas! E comecei a transcrever vários solos e trechos de solos, porque eu queria saber "do que aquilo era feito", pois só de ouvir ainda não 'sacava'.

Comecei a reparar que a idéia é outra, e me fascinei por isso. Os caras têm outras saídas musicais, estudam de jeitos diferentes. O primeiro cara que ouvi bastante foi o saxofonista americano chamado Michael Brecker.

Tirei vários solos, várias frases... Nessa época precisei fazer isso, pois não tinha a mínima idéia de como começar a renovar minha música.

Hoje em dia não tiro mais solos, só ouço, tento assimilar dessa maneira, acho mais musical. A coisa não vira um amontoado de 'licks' (frases prontas), mas você assimila a música do cara, sente o espírito da música dele.

Logo depois da fase Brecker, comecei a ouvir outros caras, como os saxofonistas: Charlie Parker, Coleman Hawkins, John Coltrane, Sonny Rollins, Wayne Shorter, Joe Henderson, Dexter Gordon, Eric Dolphy, etc. Pianistas: Art Tatum, Bud Powell, Thelonious Monk, Ahmad Jamal, Oscar Peterson, Herbie Hancock, Keith Jarrett, McCoy Tyner. Trompetistas: Miles Davis, Clark Terry, Fats Navarro, Clifford Brown, Freddie Hubbard, e outros. Além do jazz ouço também a música de: Bach, Wagner, Debussy, Ravel, Shostakovich, Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Paul Hindemith, Stravinsky, Bartok. Também ouço a música brasileira: Jobim, Ernesto Nazareth, Radamés, Edu Lobo, Milton Nascimento, Toninho Horta, Heraldo do Monte, João Donato, Arismar do Espírito Santo, Baden Powell, e tantos outros.

Comecei também a expandir meu repertório, que ainda é bem restrito, comparado a alguns caras que conheço... Mas isso dá outra dimensão à improvisação. Penso numa frase super-mega-óbvia, mas que é verdade: "Quanto mais músicas você conhece, mais musical fica!". Definitivamente!

IMPROVISAR
Tocar é uma coisa maravilhosa. Criar música é um dom, uma dádiva, um presente de Deus! Estudar pra tocar intuitivamente é nossa tarefa. Improvisar não quer dizer apenas solar, mas compor instantaneamente. Muito já se falou sobre isso e existem várias frases-chavão pra esse assunto. O que gostaria de dizer sobre isso é:

Não tenha medo de errar, toque o que sentir; faça seus erros virarem música, e se não conseguir, não se desespere, pois, a cada dia você vai se aperfeiçoando! Acredito que a excelência musical deva ser uma coisa que se constrói dia a dia.

Não tenha pressa, seja honesto com você mesmo, ouça suas gravações e se supere da próxima vez que tocar. Não se preocupe se o que você toca não parece com o que tocam os guitarristas da moda! As modas passam e a música verdadeira fica!

Obrigado pela oportunidade e um grande abraço a todos!

P.S.: Visitem meu site: www.michelleme.com !
Lá tem bastante música pra ouvir, fotos, equipamento, fórum, dicas de CD/DVD, equipamentos, agenda, matérias e lições publicadas e novidades.

Para acessar o site GTR e ler a entrevista clique aqui.

 

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